O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, exonerou 21 dos 27
superintendentes regionais do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) nos Estados e no Distrito
Federal. As demissões foram publicadas na edição dessa quinta-feira do
“Diário Oficial da União”, que não informou quem serão os substitutos.
Consultado por veículos da imprensa, o comando da pasta não informou o
motivo dos afastamentos, que não atingiram o Rio Grande do Sul. Em
recente entrevista à imprensa, Salles disse que pretende substituir os
superintendentes estaduais – quase todos indicados por critérios
políticos – por oficiais militares.
As cúpulas estaduais que foram alvo da medida são as seguintes:
– Tocantins – Sergipe – Santa Catarina – Roraima – Rondônia
– Rio Grande do Norte
– Piauí – Pernambuco – Paraíba – Minas Gerais – Mato Grosso – Maranhão
– Goiás – Espírito Santo – Distrito Federal – Ceará – Bahia – Amazonas
– Amapá – Alagoas – Acre – Minas Gerais
Brumadinho
Um dos exonerados é Julio César Dutra Grillo, da Superintendência do
Ibama de Minas Gerais. Ele já havia alertado que barragens de rejeitos
em Brumadinho, dentre as quais a da Vale, que se rompeu em 25 de
janeiro, “não ofereciam risco-zero”.
O aviso de Grillo foi feito durante reunião extraordinária da Câmara
de Atividades Minerárias, em dezembro do ano passado. Esse encontro
resultou na aprovação, de forma acelerada, da licença para a
continuidade das Operações da Mina de Córrego do Feijão, cujo rompimento
provocou as mortes de 186 pessoas. Até essa quinta-feira, outras 122
estavam desaparecidas, de acordo com a Defesa Civil de Minas Gerais.
Questionamento
Alvo de duras críticas do presidente Jair Bolsonaro, o Ibama
completou 30 anos de criação no dia 22, com uma agenda complexa de
combate a crimes ambientais, mas ainda sem rumo desde a posse do novo
governo. A princípio, as ações do órgão para este ano se basearão no
recém-concluído Diagnóstico dos Delitos Ambientais 2018, que mapeia
problemas nacionais e em nível estadual.
No segundo mês do governo Bolsonaro, o Ibama está em compasso de
espera. Foram duas trocas na cúpula até agora. O novo presidente,
Eduardo Bim, atuava como procurador da Advocacia-Geral da União junto ao
Ibama.
A única mudança nas cinco diretorias foi na de Proteção Ambiental do
órgão. No lugar de Luciano de Meneses Evaristo, funcionário histórico
que ocupou o cargo nos governos de FHC, Lula, Dilma e Temer, entrou o
major da Polícia Militar de São Paulo Olivaldi Azevedo.
Na semana passada, Azevedo participou, ao lado do ministro do Meio
Ambiente, Ricardo Salles, de uma visita a um plantio de soja feito
ilegalmente em uma área embargada pelo próprio Ibama, na Terra Indígena
Utiariti (MT).
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