A sinalização das pesquisas de intenção de voto de um cenário eleitoral com Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) no segundo turno levou a campanha para um ambiente de octógono na corrida ao Palácio do Planalto.
Além dos dois líderes, os candidatos que vêm no segundo pelotão, Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede), também ampliaram os ataques nos últimos dias na luta pela sobrevivência. Desta forma, assim como em 2014, a campanha entra na sua reta final em clima de desconstrução.
Mesmo ainda hospitalizado e se recuperando do atentado a faca sofrido no dia 6, Bolsonaro foi o primeiro a aumentar o tom na semana. Ainda no domingo gravou um vídeo ao vivo direto do seu leito, alardeando uma possibilidade de fraude nas eleições por meio das urnas eletrônicas “para beneficiar o PT”.
Haddad não mordeu a isca e preferiu centrar seus ataques no rival histórico do PT, o PSDB. O candidato petista jogou no colo dos tucanos o impopular governo de Michel Temer e tentou reduzir a crise econômica do final do governo Dilma Rousseff a uma sabotagem do Congresso que teria sido comandada pelo partido de Geraldo Alckmin.
Cada vez mais desacreditado e com aliados já sondando cenários para o futuro, Alckmin tenta sair das cordas atacando os dois líderes. Após duas semanas de trégua, a campanha do PSDB voltou a veicular ataques contra Bolsonaro e usou todo o programa de TV na noite dessa quinta-feira com a mensagem de que os líderes das pesquisas são dois lados da mesma moeda e poderiam transformar o Brasil em uma Venezuela.
Ciro
Resistindo na terceira colocação, Ciro manteve o foco em ataques a Bolsonaro, principalmente ao vice, General Mourão, a quem chama de “jumento de carga”. Mas não poupou o PT, destacando ter recusado o papel desempenhado por Haddad de ser reserva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Marina, por sua vez, busca reverter seu processo de franca desidratação também por meio de ataques. Afirmou que o país não merece a “violência” de Bolsonaro nem o “rouba, mas faz” do PT. Atacou ainda Alckmin, dizendo que o tucano deve ser responsabilizado pelo crescimento da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), que domina os presídios paulistas e tem ramificações por todo o país.
Em novo ataque a Bolsonaro, afirmou que o “Posto Ipiranga” pegou fogo, ao se referir à proposta do economista Paulo Guedes de um tributo nos moldes da CPMF. Em meio a tantos ataques, o tema dos impostos foi um dos raros momentos em que a discussão teve algum verniz programático.
Após a repercussão negativa da divulgação da ideia do tributo sobre movimentações financeiras, economistas da campanha de Bolsonaro correram para explicar que a ideia é substituir outros impostos e prometeram uma redução da carga tributária.
Além da questão do tributo específico, a proposta de reduzir a alíquota mais alta do Imposto de Renda também sofreu ataques e os adversários acusaram a candidatura do PSL de querer diminuir tributos sobre mais ricos e aumentar sobre os mais pobres. Haddad repetiu sua proposta de aumentar a margem de isenção, enquanto Alckmin repetiu a ideia de reduzir tributação das empresas, mas passar a cobrar imposto sobre o lucro dos acionistas.
No fim, com mais ataques do que propostas, a campanha se encaminha para a reta final em tom de briga de rua, repetindo o que ocorreu em 2014, quando uma campanha agressiva contra Marina Silva fez com que ela perdesse quase a metade do eleitorado nas últimas semanas. Resta saber se diante das trocas de acusações há espaço para alterações deste porte no cenário deste ano.
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