Um áudio em que a diretora do Hospital de Campo Maior relata o fechamento de 30 leitos e a falta de estrutura e recursos foi o que bastou para expor a farsa dos investimentos em Saúde no Piauí. E uma fiscalização do Conselho Regional de Medicina no local foi o necessário para mostrar que um secretário de Estado é capaz de ir à TV mentir ao vivo para esconder o desastre de sua gestão.
O Ministério Público Estadual acompanhou o CRM a Campo Maior para uma fiscalização na unidade hospitalar. Na última quinta-feira (23), o secretário de Saúde Florentino Neto fez uma maratona de entrevistas em TVs, portais e jornais do Piauí negando uma denúncia feita num grupo de WhatsApp. A diretora Jardênia Ribeiro falou em “falência” do hospital.
Afirmando que não haveria fechamento de leitos, falta de remédios, insumo alimentação nem recursos para pagar fornecedores, o secretário garantiu o perfeito funcionamento do hospital. “Foi um mal entendido”, alegou ao vivo na TV Clube. A mentira não durou três dias.
O MPE e o CRM constataram a falta de medicamentos, problemas estruturais e falta de ambulância adequada. Além disso, profissionais sem contrato atuando no hospital e recursos que mal cobrem a folha de pagamento. O relatório do CRM aponta que os recursos não são suficientes para cobrir as despesas necessárias com insumos e medicamentos.
E também falta uma série de medicamentos e a escala médica encontra-se reduzida, principalmente para cirurgias. A fiscalização contou com a presença da presidente do CRM-PI, Drª Mírian Palha Dias Parente, do vice-presidente, Dr. Dagoberto Barros da Silveira, além do promotor de Justiça da Comarca de Campo Maior, Dr. Maurício Gomes de Sousa, e corpo técnico do CRM-PI.
De acordo com o CRM, o diretor financeiro do hospital, Robert Sousa Alves, informou que mensalmente os fornecedores estão sendo pagos apenas com parte da dívida, pois o montante do recurso que chega não é suficiente para cobrir as despesas com insumos e medicamentos.
O Conselho informou que em agosto, o recurso que entrou na conta do hospital foi de R$ 402 mil (referente a julho), aproximadamente R$ 239 mil são para pagar a folha de pagamento, além de outras despesas e somente sobram R$ 70 mil para pagar fornecedores, recurso nem de longe suficiente para tal. Segundo o CRM, a direção do hospital disse que são necessários mensalmente um montante de R$ 120 mil somente para a compra de medicamentos e material hospitalar. Também foi informado que a dívida com fornecedores de janeiro a agosto desse ano já passa de R$ 400 mil.
Além disso, o hospital que possui 110 leitos, contaria com 140 profissionais, grande parte sem nenhum vínculo e nem contrato trabalhista, mas que recebem salários, entre eles médicos, enfermeiros, técnicos e pessoal de serviços gerais

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